Hoppe contra Hayek: respostas às críticas

Hoppe tem vários artigos em que busca criticar Hayek. Mas a deturpação é visível demais para quem tem a mínima decência de sentar a bunda na cadeira e ler de fato o que Hayek dizia.

O maior artigo de crítica a Hayek é o “F. A. Hayek sobre Governo e Evolução Social: Uma Crítica”, mas tem outros, como “O Mito de Hayek”, “Mises contra Hayek – o socialismo é um problema de propriedade ou de conhecimento?“, e “Por que Mises (e não Hayek)?“.

As críticas de Hoppe podem ser divididas da seguinte forma:

  • Dizer que Hayek não era um liberal, que era um tipo de “social-democrata”, e que de certa forma dava um “cheque em branco” para o Estado.
  • Criticar o seu conceito de coerção (e agindo como se isso fosse uma parte muito importante de seu pensamento).
  • Criticar sua suposta “rejeição” à praxeologia, e seu subjetivismo.
  • Criticar seu argumento contra o socialismo (sobre o conhecimento), afirmando que é essencialmente diferente do de Mises e é errado.
  • Criticar seu conceito de evolução cultural e de ordem espontânea.

Eu possuo vários artigos que criticam esses pontos.

Sobre Hayek não ser um liberal e ser um tipo de social-democrata, e que ainda dava um “cheque branco” ao Estado, eu tenho o artigo “Hayek era social-democrata?” e o artigo “Algumas soluções de Hayek para o Brasil” que mostram muito bem que isso está longe de ser o caso. Tem também este artigo, que considero um dos mais importantes para se entender a posição política de Hayek e como ele é um legítimo liberal clássico, chamado Mises e Hayek: entendendo a posição do segundo sobre o laissez-faire. Já este artigo quase que refuta ponto por ponto um artigo de Hoppe, pois mostra A desonestidade de Hoppe no artigo “Por que Mises (e não Hayek)?”

Sobre a crítica de Hoppe (que é basicamente uma cópia da de Rothbard) a seu conceito de coerção, eu tenho o artigo “Rothbard refutou Hayek sobre coerção?“, que mostra o quanto eles erraram de forma simples e burra ao fazer essa crítica a Hayek.

Sobre a suposta “rejeição” de Hayek à praxeologia, sua metodologia econômica e seu subjetivismo, eu tenho o artigo “Hayek e a praxeologia” e o “Resposta a um artigo “refutando” Hayek sobre a praxeologia“, que é bastante completo sobre esse assunto.

Sobre sua crítica aos argumentos de Hayek sobre o socialismo, e a diferenciação deles para com os do Mises, eu tenho o artigo, em inglês, “Mises and Hayek About Socialism: No Essential Difference“, e o “Mises x Hayek sobre o socialismo?“.

Sobre a crítica de Hoppe à ideia de ordem espontânea de Hayek, eu tenho o artigo “Individualismo metodológico e ordem espontânea em Hayek“.

Apenas sobre sua ideia de evolução cultural que eu não tenho especificamente. Mas basta ler qualquer artigo sobre o tema que se vê claramente que a crítica de Hoppe não faz qualquer sentido. É completamente bizarra em relação ao que Hayek de fato escreveu. Eu recomendo fortemente este artigo, chamado Hayek’s theory of cultural evolution: a critique of the critiques“, em inglês, e, um pouco menos, mas também importante, The Current Evidence for Hayek’s Cultural Group Selection Theory. .

Apesar de eu crer que essa seleção está longe de ser perfeita da forma como eu queria (e até poderia, se tivesse mais tempo), penso que depois de ler todos esses artigos (e inclusive os do próprio Hoppe), a conclusão é inevitável do tamanho da picaretagem desse (e da maioria dos neomisesianos) em suas críticas a Hayek.

 

 

 

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6 comentários sobre “Hoppe contra Hayek: respostas às críticas

    1. Eu creio que já está dominando, pelo menos no Brasil, e a tendência é dominar cada vez mais. O problema é que os descendentes da Escola Austríaca Clássica, que bebe em Hayek, são mais acadêmicos, e estes não conquistam tanta simpatia do povão. Ainda mais que estes mesmos acadêmicos recusam em criticar as críticas de Rothbard, Hoppe e outros neomisesianos a pessoas como Hayek, porque eles não querem lidar com “ideólogos”, “dogmáticos”.

      A consequência é que o povão, que não entende muita coisa de economia, teoria social, ética, etc, cada vez mais se adere aos ideólogos por não saber distinguir quem está certo por si só (ainda mais que não tem artigos para lhe mostrar isso). Para você ver, a maioria dessas críticas a Hayek que estou demonstrando serem sem sentido, eu fui o primeiro a fazê-las! Enquanto acadêmicos hayekianos não se preocupam em defendê-lo contra esses “ideólogos”.

      Enquanto isso, estes mesmos “ideólogos” sabem que a estratégia boa para espalhar as ideias não é ficar como os acadêmicos, mas dar acesso a ideias para a população.

      Pouca gente faz o trabalho que estou fazendo aqui (e creio que dificilmente fará), então, pelas razões descritas, a tendência é só mesmo a dominação do dogmatismo na Escola Austríaca.

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      1. Poderia citar nomes de alguns hayekianos acadêmicos como recomendação de leitura? (Pode ser aqui mesmo em algum artigo posterior).

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      2. Israel Kirzner, Peter Boettke, Ludwig Lachmann, Matt Zwollinski, Fabio Barbieri, Ubiratan Jorge Iiorio, Meira Penna, Thomas Sowell, Vernon Smith, Matt Ridley, James McGill Buchanan Jr., Joaquin Fuster, Donald J. Boudreaux, Armen Alchian, David Prychitko, Steven Horwitz, Richard Epstein, etc.

        Vou ser mais específico agora para a leitura. Em questões de economia, teoria empresarial e de mercado, são muito bons Israel Kirzner, Fabio Barbieri e Ubiratan Jorge Iiorio. Eu recomendo bastante os livros do Kirzner, como Competição e Atividade Empresarial, e os artigos do Barbieri (alguns têm no IMB). Tem o livro do Ubiratan também Ação, Tempo e Conhecimento.

        Em filosofia política, o Matt Zwollinski tem artigos muito bons em questão das funções do Estado e crítica ao libertarianismo dogmático. O Meira Penna, brasileiro, tem um livro excelente analisando as Revoluções mundiais sob um ponto de vista bastante hayekiano e liberal clássico. Eu recomendo bastante seu livro Espírito das Revoluções, e seu A Ideologia do Século XX.

        Em teoria política, eu também recomendo bastante as obras do James McGill Buchanan Jr. sobre as constituições.

        O Boettke e o Horowitz têm também artigos muito bons defendendo algumas ideias dentro do framework hayekiano.

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